segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Sobre Toro

Algumas das questões mais interessantes para a interação entre conteúdo e aplicabilidade está na voz de Bernardo Toro. Diante de sua exposição acerca das capacidades, não há exclusão do conhecimento adquirido mesmo em ambientes mais ortodoxos - o que viabiliza a sala de aula ainda como meio alternativo para uma educação de qualidade, mesmo que na UTI do avanço social.
As capacidades que devemos gerir como ideal de aprendizado devem ser contextulizadas. Sabemos que ensinar um conteúdo como regência verbo-nominal, na Língua Portuguesa, é bastante complexo, considerando sua teoria fundamentada em uma gramática histórica. Quando aplicado ao texto, percebendo as nuances de variação de significado por um mau uso linguístico, necessita-se observar que conhecer determinados pontos do conteúdo é bastante útil.
Saber ler o mundo é um ponto que extrapola o nível do conhecimento, mas invade a pedagogização do cotidiano. Leitura de mundo se aprofunda em sala de aula, mas se aprende no convívio, na sociedade - escola mais que útil para nosso crescimento. A leitura de uma pessoa caminhando na rua pode ser tão importante quanto a de uma obra da literatura universal, tendo em vista a aplicação - Posso ajudá-lo? Devo ajudá-lo? Sei como ajudá-lo? São questões tão importantes quanto os sentidos que extraio de um texto - Que ideologia me passa? Concordo com isso? Identifico-me com algo?
A sala de aula, no seu universo de complexidades e inadequações ao cotidiano, serve à educação como a rua, a televisão, as pessoas: é o espaço da reflexão, da busca pelo crescer, pelo conquistar o avanço psicológico e intelectivo. Caso os educadores tenham a noção de que o espaço pode ser usufruído para a focalização externa da escola, não a vendo como um espaço à parte da vida, tornar-se-á ainda mais prática do que se revelou até certa altura de seu tempo.
Bernardo Toro perpassa todos esses conceitos. Avança em ideias sobre aplicabilidade e inclui-se entre aquele a quem devemos respeito como pensador. Por mais que se supunha que qualquer pessoa poderia pensar no mesmo, a avaliação dada ao constructo o torna um expoente. Educar para o crescer não se faz apenas pensando: faz-se aplicando.


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